segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Eu não quero que a gente seja só lembrança. Quando tocar aquela música de dia chuvoso, quero rir por dentro, encolhendo o abrir de bocas desajeitado. Não quero jogar fora aqueles retratos. Nem mesmo guardá-los na caixinha de papelão, em cima do armário. É muito caro para virar só alimento de traças.
Não quero ter medo de ler as palavras de novo. Quero que elas virem inspiração e saudade. E que comecem a se repetir no tempo, até que tudo fique engraçado. Quero chegar às rugas com 10 milhões e 300 mil do mesmo sonho. E 68 apelidos de bichos diferentes. E não lembrar da metade deles.
Não vai ser só de antes e nem vai trazer lágrimas. Quero que seja vermelho, e amarelo. Até no cinza. Sem meio tempo ou algum tempo. Todo o tempo. Quero mais tempo. Mais e mais, tanto mais que o que ficou para trás seja só isso, e não um passado. E sentir que há mais para descobrir.
Todo amanhecer novo tem uma luz singular. É porque uma lâmpada fria pode esconder o mais brilhoso ar do Sol.

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